Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

Clã na Aula Magna: Como no cinema


O concerto de ontem à noite tinha tudo para dar certo. Com um bom disco pop já pela estrada, os Clã voltavam à Aula Magna para apresentar o seu «Cintura», perante uma plateia que praticamente encheu o espaço lisboeta e que revelou total devoção às canções do grupo. E no final deu tudo certo.
O motivo deste concerto era mostrar ao público as novas canções de «Cintura» e foi com o tema que abre o disco, «Vamos esta Noite», que os Clã iniciaram o espectáculo, às 22h em ponto como marcado. Com este novo registo os Clã trouxeram também um novo visual, muito elegante por sinal, e como o concerto de ontem à noite era especial, a decoração do palco teve algo de diferente. Aviões de papel suspensos, um parco no chão, os dois teclistas mais o baterista em níveis acima dos restantes membros, e a rodeá-los faixas que anunciam que algo está em construção. No entanto, o espectáculo dos Clã já não está em construção, está pronto a ser desfrutado com a energia e dedicação que eles merecem.
Logo à terceira canção tocam o primeiro single do novo disco, «Tira a teima», que fez soltar Manuela Azevedo em danças eufóricas, mostrando uma cantora que além de excelente intérpetre e de bela voz, é como se diz «um animal de palco», que vive as canções à flor da pele e que por isso não consegue ser indiferente a quem a vê actuar. Não tivemos a presença de Legendary Tiger Man, mas a vocalista empunhou uma mascara de Paulo Furtado para nos lembrarmos da sua presença. Depois houve tempo para regressar ao passado com «GTI», cantada a plena voz com os fãs bem conhecedores de toda a carreira dos Clã. Mas foi o novo disco que foi o mais tocado e se por vezes «Cintura» em disco não se revela ao nível de um «Rosa Carne», ao vivo confirmamos que o novo disco da banda é um disco de palco, onde as canções ganham uma nova vida.

A célebre «H2OMEM» teve direito a coreografias por parte de muitos membros do público, enquanto que «Sopro do Coração» foi memorável no seu intimismo. Com apenas Manuela Azevedo e Hélder Gonçaves em palco e todo o público a cantar a canção de uma ponta a outra, este foi daqueles momentos que não desaparecem. «Topo de Gama» teve um final completamente alucinado, e «Dançar na corda bamba» obrigou toda a plateia a levantar-se e dançar uma boa canção pop. Antes dos encores, Manuela Azevedo despede-se com o barco ao ombro tirando de lá vários aviões de papel que enviava para os fãs. Já nos encores vimos e ouvimos com prazer «Eu Ninguém» numa versão bem mais electrónica, mas muito recomendável, assim como «Problema de Expressão» outra vez cantada em uníssono e «Amigos de quem», que não contou com a presença de Manuel Cruz (ex-Ornatos Violeta) como aconteceu dá última vez que o grupo portuense pisou aquele palco.

Após duas horas sem parar, fecham com um inédito electrizante, sob uma ovação de pé (sendo que não foi a primeira durante a noite) e a deixarem na memoria que ao vivo os Clã são sempre uma experiência a não perder.

Publicado no Disco Digital

Foto: Espanta Espíritos - Blitz

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